terça-feira, 19 de junho de 2012
Tio Afonso
É estranho, muito estranho ter que aceitar a tua partida. É obscuro tentar entender que despedidas são naturais, apesar de nos custar vão acontecer pela vida fora. É lamentável saber que é preciso perder as coisas para sentir falta delas, é mau mesmo. Sinto muito a tua falta e não pensava que o fosse sentir. Custou-me muito ver-te ali no caixão, o teu corpo em sepultura, mas parte de mim insistia em verte e não sair dali, mas algo estranho que invade cobardemente a minha alma, e faz-me refém desta saudade. Sinto que fui enganada totalmente pela vida, quando me disse quando era pequena, que a vida era para sempre. A tristeza pousa sobre o meu coração e torna-se minha compelisse para me ajudar neste dor. Já não somos nunca mais duas pessoas, hoje sou eu, ontem éramos nós e no futuro ficarão as recordações de tempos muito bem passados, saudades que jamais se apagaram, mesmo com o tempo. Pode ser que um dia nos encontremos, nesse sitio para lá do arco-íris, num lugar que não sei onde é. Enquanto isso não acontece, viverei sem ti. Não sabia que pudesse ser assim, ele não merecia como tudo aconteceu, está a ser doloroso para nós como foi para ele naquela hora, que todos gostava-mos de saber qual foi.. Já lá vai um mês da sua morte e ainda é tudo tão recente, está ainda tudo na minha mente. Aquelas imagens tão boas que tinha e tenho dele, tudo aquilo que fazia-mos juntos quando era mais pequena, podias estar em Lisboa, não era por ai que nós afastava-mos. Agora que estás ai onde estás olha por mim, não me deixes cometer os mesmos erros que tu cometes-te, não soubeste viver a vida mas quem sou eu para te julgar. Agora só te digo fica em paz e descanso.. Ainda não me consegui mentalizar de tudo o que aconteceu, eras um tio excelente. #Tio
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